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27/10/2009

José Ricardo Skowronek Rezende: precisamos discutir a distribuição dos benefícios

O leitor do BeefPoint José Ricardo Skowronek Rezende (Produção de gado de corte), enviou um comentário ao artigo "UE: Abiec tenta negociar redução nas exigências de rastreabilidade". Abaixo leia a carta na íntegra.

"Autonomia para o MAPA administrar (inserir/editar ou excluir) propriedades habilitadas da lista da UE desburocratizaria um pouco o processo e creio taria ganhos para todos os agentes envolvidos: produtores, frigorificos, goveno e inclusive importadores.

Já a distribuição dos benefícos fiscais da COTA HILTON entre os agentes da cadeia produtiva é bem mais polêmica.

Historicamente os ganhos da exportação da carne e especialmente dos cortes destinados a COTA HILTON ficavam restritos a um pequeno grupo de frigoríficos. Os produtores só eram beneficiados indiretamente.

Com a escassez de animais rastreados aptos a partir de início de 2008 os poucos produtores que tiveram suas propriedades habilitadas ao longo do ano passado receberam pela primeira vez uma parte expressiva destes ganhos.

E notem que para atendimento da COTA HILTON há restrições ainda maiores por parte da UE. Não basta que os animais sejam rasteados e oriundos de uma propriedade habilitada. É preciso também que sejam identificados desde a desmama, sejam criados a pasto, possuam excelente acabamento e sejam abatidos jovens. Tarefa dificil convenhamos.

E de fato a conjunção das dificuldades ordinárias do SISBOV com as dificuldades complementares da COTA HILTON fizeram que pela primeira vez não tenhamos atingido a cota definida para o Brasil pela UE.

Portanto perdemos todos: o pais, os frigoríficos e produtores em geral (com exeção dos poucos produtores que possuiam animais que atendiam a todas estas exigências).

Por isto acho que devemos sim brigar para simplificar, dentro do possível, o processo. Mas devemos também avançar na discussão da distribuição dos benefícios entre frigoríficos e produtores. Não podemos simplesmente aceitar o status anterior.

Com motivação economica a cria implantará a rastreabilidade e o pais terá animais rastreados com qualidade desde o nascimento/desmama em volume suficiente para atender a cota do Barsil e inclusive brigar por ampliá-la.

Mas o invernista/confinador só pagará mais por bezerros rastreados se souber que receberá a mais por bois com "histórico completo", que poderão ser destinados a COTA HILTON.

Porém como o ciclo de produção de um boi acabado, em média, é de 36 meses e envolve dois produtores, e o segmento ainda é muito pouco integrado e cada elo desconfia dos outros, especialmete produtores & frigoríficos, até agora não conseguimos avançar nesta discussão.

Mas se para resolver a falta de animais adequados para a COTA HILTON lutarmos apenas pela simplificação do processo corremos o risco de, em caso de sucesso no pleito, voltarmos ao status anterior na distribuição dos benefícios com a indústria por exceso de oferta. E para piorar ficaremos ainda sujeitos a, por mudança conjuntural, sermos novamente pressionados pelos importadores no futuro.

Será que não esta na hora de uma discussão entre frigoríficos, invernistas/confinadores e criadores para discutir como implantar a rastrebilidade integral?"

Fonte: Beef Point
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